terça-feira, 24 de junho de 2014

A obra Intangível

Volta e meia eu abro mão das palavras e de artigos mais técnicos e me lanço no mundo da construção de ideias mais filosóficas, mais introspectivas.

Pensando bem, eu sempre estou envolto com esta parte da fotografia que é mais emocional do que puramente científica, talvez só não escreva tanto a respeito como gostaria ou deveria.

Depois de escrever o artigo Ansiedade Fotográfica, um dos primeiros que fiz aqui para o Fotografia-DG, passei a buscar por um novo tema que pudesse explanar aqui sem me tornar enfadonho ou cansativo.

Enquanto lia um livro do filósofo Mário Sérgio Cortella, do qual tenho grande admiração, me deparei com uma crônica que leva o mesmo nome deste artigo, e que é a base para as minhas palavras.

Na crônica, o professor Cortella nos leva a um questionamento sobre como estabelecemos o valor de um trabalho, essencialmente aqueles que são manuais aos olhos de outros, mas que são ao mesmo tempo muito intelectuais.

Normalmente a base que nos calçamos para estabelecer o valor está sob dois aspectos: o tempo decorrido para execução e a suposta dificuldade momentânea de execução.

A observação do valor do trabalho apenas sobre estes dois aspectos não nos faz enxergar que há um mundo abstrato por trás de cada conhecimento e que colaborou para que aquele trabalho fosse criado. Este mundo é o que podemos chamar de “a obra do intangível”, ou aquilo que não podemos tocar ou ver.

Foto 1 A obra Intangível

Há uma história lendária que exemplifica esta obra intangível: Renoir, já com 70 anos, recebeu um discípulo que gostaria de aprender a arte da pintura deste mestre. O discípulo, alegando ter o tempo escasso, queria aprender a pintar um quadro em apenas 5 minutos, tal como Renoir fazia com maestria. Diante da pressa do seu discípulo, Renoir lhe dá a seguinte lição: “Fiz este desenho em 5 minutos, mas demorei 60 anos para consegui-lo”.

Esta lição oculta a seguinte questão (pelas palavras do próprio Cortella): ”como avaliar em um trabalho ou obra todo o intangível percurso e experiência anterior que foram necessários para que o resultado tangível possa ser recompensado, remunerado, apreciado?”

Para ajudar-nos a pensar nesta resposta lanço uma célebre frase de Sebastião Salgado: “Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura”. Vou além e trago a frase de outro mestre, Ansel Adams: “Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu, as viagens que fez, as músicas que ouviu e as pessoas que amou”.

Então pergunto a você: Quanto vale a sua cultura, o seu conhecimento, a sua experiência?

Sempre que um fotógrafo iniciante entra no mercado ele logo se preocupa em quanto cobrar por um trabalho fotográfico, e vai em busca de sites ou outros profissionais que possam direcioná-lo à um valor possível. Então se deparam com fórmulas, planilhas, cálculos, que envolvem custos de depreciação, de despesas, de insumos, de funcionários, etc.

Esses auxílios são válidos (e muito), todos nós devemos recorrer a estas ferramentas para tentarmos mensurar quanto vale o esforço e dedicação no desempenho de uma função. Porém, não podemos ficar restritos ou limitados a somente observar o custo de um trabalho fotográfico sob o prisma de cálculos matemáticos ou baseados numa realidade regional.

O valor de um trabalho, e neste caso falo da fotografia, deve estar amparado também na percepção do raro e na percepção da singularidade de cada imagem.



Todo o esforço que você faz estudando, indo a congressos e workshops, alimentando-se de referências visuais e sensoriais, o tempo que gasta debatendo com colegas, tudo isso também faz parte do valor da sua obra.

Muito embora o seu cliente não veja que você está buscando o melhor, ou seja, não está vendo a construção da sua obra intangível, ele terá a percepção sobre aquilo que lhe é palpável: a própria fotografia.

O que tudo isso significa? Dê valor ao seu próprio trabalho não somente pelo esforço físico que você vai despender para fazê-lo ou pelo tempo que levará para executar, mas também por tudo o que você vem construindo em sua vida para que aquele momento, para que aquela fotografia seja realizada.

Um pintor não estabelece o valor da sua arte pelo tempo que levou para pintar. Teríamos como definir o que vale mais: os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina ou um quadro de Van Gogh? Uma sinfonia de Brahms ou uma valsa de Chopin? Uma poesia de Fernando Pessoa ou um soneto de Vinicius de Moraes?

Não há uma fórmula, não um método, não há nada que determine o quanto seu conhecimento, sua vivência, sua experiência influencie no valor final do seu trabalho, mas você deve reconhecer que esta obra intangível existe, que esta dentro de você, e que cobrar por ela é muito mais do que aumentar um preço mas sim VALORIZAR aquilo que você faz.

Muita luz, paz e harmonia para vocês!

origem: http://www.fotografia-dg.com/a-obra-intangivel/

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Aprenda a organizar suas fotos no Lightroom 4

Ter que organizar uma grande quantidade de fotos todos os dias é um dos principais desafios de fotógrafos na era digital. Felizmente, a Adobe criou o Lightroom, um programa que permite não só a edição, mas também a catalogação e organização de fotos, simulando uma verdadeira mesa de luz. A seguir você vai aprender o básico da organização com o programa.

Passo 1. Após a instalação do Lightroom 4, todas as vezes que você ligar um cartão de memória ou máquina fotográfica no computador, o programa automaticamente abrirá, permitindo que você faça a importação das imagens já em suas respectivas pastas;
Programa abre automaticamente após a instalação (Foto: Reprodução).

Passo 2. A principal ação a ser definida nesta tela de importação é quais são as imagens que serão copiadas para o computador e onde elas serão colocadas. Para ajudar na decisão, o progrmaa oferece ao usuário um mosaico com as imagens disponíveis na memória da câmera ou cartão de memória, permitindo assim que você marque aquelas que você deseja aproveitar e já deixe de lado as que não ficaram muito boas;

Passo 3. A parte boa é que o Lightroom automaticamente organizará as imagens por ano e pela data em que as fotos foram tiradas. O ideal, então, é criar um diretório no seu HD que facilite não só o acesso às imagens, mas também o seu posterior backup. Feitas as alterações, é só clicar em “Importar”, no canto inferior direito da tela;
Acesso e backup facilitados (Foto: Reprodução).

Passo 4. Neste momento, você será transportado para uma divisão chamada Biblioteca, e é nela que a verdadeira organização será feita. Tudo o que você precisa fazer é selecionar as imagens que você quer que tenham um rótulo e adicionar uma palavra chave no menu à direita.

É importante ser objetivo em sua descrição, usando poucas palavras, ou no máximo uma como “Planetário”, “Férias Europa” ou “Flor Preto-e-branco”. Com isso será muito mais fácil encontrar suas fotos depois, por meio da busca do programa;
Sistema de tags ajuda a organizar fotos (Foto: Reprodução).

Passo 5. Agora você pode clicar na opção “Texto” em Filtro da Biblioteca, localizado na parte superior da tela, e escrever uma das palavras-chave que você usou para catalogar suas fotos. Desta maneira torna-se muito mais prático encontrar imagens específicas dentre centenas ou até milhares de arquivos em seu HD, graças às categorias que você usou para definir o conteúdo das imagens;
Fotografias organizadas no Lightroom 4 (Foto: Reprodução).

Como você viu, é muito fácil organizar suas fotos com o Lightroom 4. Tudo o que você precisa fazer é lembrar de algumas regras básicas como, usar palavras bem definidas na hora de catalogar suas imagens e lembrar de sempre importá-las para o mesmo diretório, deixando que o próprio Lightroom as separe por ano e mês em que foram tiradas.

Origem: http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2012/06/aprenda-organizar-suas-fotos-no-lightroom-4.html

Efeito Aquarela


Descrição: Neste tutorial veremos como transformar uma imagem em pintura utilizando filtros, modos de blend e ferramentas.

01. Pressione Ctrl+N para criar um novo documento, defina um tamanho qualquer, com 72 dpi's e modo de cor em RGB, pressione Ok, vá em Filter> Filter Gallery> Texture> Texturizer e defina os valores abaixo.



02. Vá em File> Place e adicione uma imagem qualquer, ajuste a imagem de acordo com seu documento e pressione Enter para finalizar a transformação, pressione Ctrl+J para duplicar a layer, dê o nome de Aquarela para a nova layer.



03. Pressione Ctrl+U para abrir a caixa de Hue/Saturation e defina os valores abaixo.



04. Vá em Filter> Filter Gallery> Brush Strokes> Crosshatch e defina os valores abaixo.



05. Agora vá em Filter> Filter Gallery> Texture> Texturizer e defina os valores abaixo.



06. Defina a opacidade da layer em 80%.



07. Pressione Ctrl+E para mesclar as duas layers.


08. Pressione a letra E do teclado para selecionar a Eraser Tool, escolha o brush Charcoal, defina a opacidade do brush em torno de 10% e aplique nas áreas indesejadas da imagem.



09. Pressione Ctrl+J para duplicar as layers, defina a opacidade da layer duplicada em 80%, clique na layer original e mude o modo de blend da layer para Luminosity.



10. No final sua imagem estará como a da foto abaixo.



site de origem: http://www.webdesign.org/photoshop/photo-editing/aquarel-painting.16561.html

Origem: http://feedproxy.google.com/~r/tutoriaisphotoshop/~3/N5MQhXYmEmU/efeito-aquarela.html

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Valor da Fotografia

Quando me perguntam a minha profissão e eu respondo que sou fotógrafa, a reação das pessoas é a melhor possível: "Uau! Fotógrafa?! Que legal!!!"
Eu me pergunto quantas delas são hipócritas, na verdade. E posso apostar que seja a maioria.


Fotografia, sem dúvida é um trabalho lindo! Mas por algum motivo, nesse país ela é tratada como uma coisa qualquer.
O fato de hoje ser tão fácil conseguir uma foto, tornou o ato de fotografar chato e desnecessário. A ideia do filme, do complexo e do raro valorizava a fotografia. Os poucos momentos registrados eram emoldurados no porta-retrato ou no álbum de família e pagava-se caro para se ter isso.
Pobres aqueles pobres que, hoje, chegaram à certa altura da vida achando que não tiveram estória, porque não tem nenhuma foto para se lembrar dela.
E pobres serão estes que não terão estória para lembrar, por opção.


Sou de uma geração burra, que acredita que a velhice, a desgraça e a doença nunca a atingirá. De pessoas que não sabem como é carregar o retrato das pessoas amadas na carteira e rasgam suas poucas lembranças, na primeira discórdia que acontece.
São essas pessoas que imaginam que ser fotógrafo é legal, mas depois de meia hora de conversa, diz a ele que não gosta de ser fotografado. São aquelas que dizem que não precisam pagar por uma foto, porque qualquer um pode apertar um botão e fazer isso. Mas ao mesmo tempo, são pessoas que estão passando por momentos importantes, mas que não são capazes de pegar o celular e tirar uma foto deles.
E posso dizer que são essas pessoas, dessa geração, que inspiram tantos fotógrafos a dizerem que um bom fotógrafo é aquele que sabe fotografar com câmeras analógicas. No fundo, eles só pegam de referência aqueles profissionais do passado, que eram valorizados de verdade. Porque os fotógrafos, dos últimos anos, sentem saudade daquilo que nunca tiveram e precisam inventar argumentos para convencer todo o resto do mundo de que seu trabalho também tem valor.


Sinceramente, admiro quem seja um jovem fotógrafo de sucesso, no Brasil. É difícil lutar contra padrões de pensamentos. Afinal, quantas vezes na vida as pessoas se vêem dependentes de um fotógrafo? Algumas, nenhuma. Outras, em casamentos. Outras em casamentos e aniversários. E, se tivermos sorte, podemos adicionar um ou outro batizado.
Mas e quando você quer registrar algo a mais? Quando você quer capturar a personalidade, os sentimentos ou sonhos que alguém tem no dia-dia? E quando você gostaria de fazer alguém se expressar através de uma imagem e deixá-la guardar isso para o resto da vida, como lembrança daquilo que ela realmente foi?
Acho estranho que eu sinta a necessidade de fazer isso pelas pessoas, sendo que elas mesmas não se interessam, nem quando oferecemos a oportunidade de mão beijada.
Sou o tipo de pessoa que nunca cobrou para fotografar parentes e amigos. Quando eu via que determinado momento poderia ser importante para se recordar, lá ia eu com a minha câmera, de peito aberto. Mas os fotógrafos tem o defeito do "olhar", que acaba incomodando muita gente. Então, invés de um "muito obrigado pelo FAVOR", você recebe reclamações de "como você é devagar; de como você é detalhista; de como você é fresco; de como você é exagerado etc".


Se eu pudesse dar um conselho a um jovem fotógrafo que está lendo esse texto, seria que não tente eternizar os momentos daqueles que não os enxergam. Isso vai atrapalhar a sua carreira, porque vai impedi-lo de encontrar as poucas pessoas que são capazes de entender o significado disso. Se um dia as pessoas amadas virem a envelhecer ou adoecer, terão que saber lidar com o desaparecimento lento de sua estória. Enquanto isso, você seguirá em frente.
Entenda de uma vez por todas: Nós sabemos que seu trabalho é importante, mas se você não o valorizar, ninguém fará isso por você.

Philippe Halsman

por Sergio Antonio Ulber

A genialidade de Philippe Halsman veio de sua vivência e de sua imaginação, combinado com a habilidade e interesse em lidar com tecnologias. O russo iniciou sua carreira em Paris, abrindo um estúdio no ano de 1932, em Montparnasse, um bairro da capital francesa. Após dois anos de dedicação à fotografia, seus trabalhos começaram a aparecer na Vogue, Vu e Voilà, afinal já estava fotografando artistas e escritores conhecidos, como André Malraux e Marc Chagall. Em 1936, projetou uma câmera reflex com objetivas gêmeas, 9 x 12 cm, construída por um marceneiro cujo avô fez a primeira câmera de ninguém menos que Louis-Jacques-Mandé Daguerre, um dos precursores da fotografia, inventor do Daguerreótipo.

Halsman fez parte do grande êxodo de artistas e intelectuais que fugiram dos Nazistas, indo com sua família, uma câmera e uma dúzia de fotografias para os Estados Unidos, em novembro de 1940, com um visto de emergência conseguido graças a intervenção de Albert Einstein e, em 1948, tornou-se cidadão norte-americano. Lá continuou sua carreira produzindo também reportagens e capas para importantes revistas Americanas, e continuava retratando renomados profissionais de diversas áreas, como políticos, artistas e cientistas. Seus retratos estamparam 101 capas da revista LIFE, um recorde que permanece até hoje.

Em 1941, Philippe Halsman conheceu Salvador Dali, iniciando uma amizade e parceria que duraria mais de 35 anos, até a morte do fotógrafo, em 1979. Criaram fotografias surrealistas que marcaram época e que impressionam até hoje, como, por exemplo, Dali Atomicus e a série Dali’s Mustache, com 30 imagens surrealistas do artista. Na década de 50 Halsman começou a pedir aos retratados que saltassem no final de cada seção, criando imagens cheias de energia e leveza, que tornaram-se um marco do seu legado fotográfico. Em 1958, foi nomeado como um dos “Dez maiores fotógrafos do mundo”, juntamente com Irving Penn, Richard Avedon, Ansel Adams, Henri Cartier-Bresson, Alfred Eisenstaedt, Ernst Haas, Karsh Yousuf, Mili Gjon e Eugene Smith.

Que Halsman publicou vários livros fotográficos, participou de várias exposições e ganhou diversos prêmios é uma obviedade a ser dita. Mais detalhes sobre a vida do fotógrafo você encontra na cronologia feita pela National Portrait Galery, um dos sites utilizados de fonte para esta pesquisa.

“Essa fascinação com o rosto humano nunca me deixou. Cada rosto que vejo parece esconder e, por vezes, fugazmente, para revelar o mistério do outro ser humano. Capturar essa revelação se tornou o objetivo e a paixão da minha vida.” Philippe Halsman.













































































Autorretrato

Fonte / Fonte / Fonte

Origem: http://www.revistafotografia.com.br/philippe-halsman/

Dicas - Aproveito tudo que o equipamento oferece?

*Por Joel e Isa Reichert


Outro dia, estávamos fotografando em uma locação e, num momento de reflexão, demos uma rápida olhada para o set e pensamos: “Nossa, quanta coisa, quantos flashes!”

Mas, tudo bem, os fins justificam os meios. Se olharmos para o resultado (foto 1), compreenderemos que a beleza estética justifica todos os esforços em produzir uma imagem complexa, robusta, com muitos assistentes e toda aquela parafernália.

A dupla que aparece na foto é de atitude. São artistas do grafite reconhecidos em nossa região, portanto, nada mais oportuno do que um aspecto pictórico no retrato deles. Ao total, foram utilizados sete pontos de luz, todos fotometrados em f/32 para ISO 100.

Eram quatro de recorte, dois principais laterais, na posição conhecida como ampla, e um de fundo. Como eram três horas da tarde, optamos por usar uma velocidade bem alta, dentro do sincronismo, para subexpor um pouco o fundo (1/200).

Certo, você deve estar pensando: “Mas como eles colocaram sete pontos de flash sem deixar aparecer nada na imagem?”. Bem, o fato é que, para conseguir o f/32 em ISO 100, precisamos de mais ou menos um 1,50 metro de distância entre cada flash e o assunto. Isso significa que ambos precisaram ser iluminados na mesma intensidade – portanto, distância. Logo, limitados pela configuração do set, optamos por fazer a foto individualmente.

Expliquemos melhor: na verdade, tínhamos um gerador com quatro tochas que iluminavam o fundo e um dos modelos. Fizemos a marcação de posicionamento dos rapazes e, com a máquina no tripé, fizemos a foto de um deles, movimentamos o set para a direita e clicamos o segundo rapaz. Depois, nosso amigo Photoshop fez o resto do trabalho. Legal, muito bom ver um trabalho como esse, dá orgulho de termos realizado, mas é complicado!

Outro dia, num trabalho com alunos em um curso de book em externas, explicamos como é difícil interagir com clientes do cotidiano, cujas expectativas são na maioria a espontaneidade e naturalidade, em sets de iluminação tão marcados, como o citado anteriormente – e cá pra nós, trabalhoso também. Por isso, usufruindo da tecnologia presente, em uma fotografia tão bela quanto a de sete flashes, utilizamos apenas um, e dois dedicados. Neste caso, optamos pela sincronização via TTL utilizando um radioflash DIGI8 para sincronizar.

Quem já operou seus flashes nos modos master, remoto e slave sabe que há fatores que limitam o trabalho, tais como distância, visibilidade entre flashes e luminosidade. Bem, em ensaios externos, temos todos os fatores contra, além de vários outros tipos de intempéries, mas, com o auxílio de equipamentos como o radioflash, podemos sincronizar os flashes de forma segura e precisa.

Na foto 2, usamos um 580 EXII como luz principal, configurado em TTL e com a opção de highsync acionada. Para quem não conhece, é um botão com o símbolo de um flash mais um H. Quando ligada, essa tecnologia permite que façamos sincronismos em velocidades mais altas. Consequentemente, podemos usar maiores aberturas. Tomemos como exemplo o padrão para luz do sol f/16, 1/125, 100. Fácil de sincronizar, não?

Pois bem, convertidos para f/2,1/8000 e 100, ou seja, exatamente a mesma luz, só que com uma linguagem diferente (desfoque), fica difícil de sincronizar, mas não se usarmos o recurso de highsync. Na foto que ilustra essa técnica, a fotometria usada foi f/1.4, 1/6400 e 100, relembrando que iluminamos a modelo com um flash 580 EXII na posição borboleta, sincronizado pelo modo master/slave e acionado via radioflash.

Em um último caso (foto 3), com apenas uma mochila nas costas, um de nós foi atender uma arquiteta. Objetivo: detalhes. Separamos duas imagens que mostram elementos iluminados por flashes sincronizados via fotocélula. Nesse caso, equipamentos da Nikon – o famoso SU4 dos SB. Simples, fácil, arrojado e com requinte, tudo dentro de uma única mochila nas costas. Foi só rebater um para dar o enchimento e o outro fazia o brilho, destaque da imagem.

Dadas essas pequenas amostras do que se pode fazer com o flash, da próxima vez que for fotografar, tente olhar para seu trabalho como se estivesse de fora e faça uma pergunta para si mesmo: “Eu sei usar o equipamento que tenho?” Ou melhor: “Aproveito tudo o que o equipamento pode me oferecer?” Pense nisso.

* Artigo originalmente publicado na revista Photos & Imagens, edição #87

Origem: http://photos.uol.com.br/materias/ver/58068

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Abertura do Diafragma (F-stops)

Entendendo Abertura do Diafragma e F-STOPS:
O que faz uma boa fotografia ser uma “boa fotografia”? muitos responderiam que é uma imagem com uma boa composição (ter um assunto interessante) e uma boa EXPOSIÇÃO (não estar nem muito clara, nem muito escura).
Bem, para se ter uma boa exposição, devemos controlar a quantidade de luz que atinge o sensor (se tiver muita luz, teremos fotos muito claras, se tiver pouca luz, fotos escuras). Conseguimos isso graças a dois controles: o tempo que o obturador deixa passar luz até o sensor (velocidade), e a quantidade de luz que passa pela lente, através do diafragma (abertura).


Uma boa analogia seria pensarmos em uma piscina. A quantidade de água que iremos ter dentro da piscina  dependera do tamanho da mangueira (abertura) e do tempo que a deixarmos ligada (velocidade). Quanto maior a mangueira, maior será a vazão de água, quanto maior a abertura do diafragma, mais luz entrara. Quanto mais tempo deixarmos a mangueira ligada, mais água teremos, quanto maior o tempo que deixarmos o obturador aberto, mais luz o sensor registrara. Uma boa exposição nada mais é do que o ajuste desses dois fatores afim de conseguir um bom registro da imagem, nem muita luz, nem muito pouca.
Outra forma de entendermos, é tentando olhar diretamente para o sol. Para olharmos diretamente para ele, teremos que abrir bem pouquinho as pálpebras, e bem rápido, para logo fechar novamente, do contrário, ficaríamos cegos pelo excesso de luz. Em uma situação inversa, em uma rua escura, teríamos que abrir bastante os olhos, e por muito tempo, até conseguirmos visualizar algo.
É simples assim, quanto maior o “buraco” que entrar luz pela lente, mais luz entrara, quanto menor o “buraco”, menos luz!  Quando se esta em uma situação de alta luminosidade, precisaremos de um “buraco pequeno”, para entrar pouca luz, quando tivermos em uma situação de baixa luminosidade, um “buraco grande”, para passar bastante luz!
Mas é claro que não podemos falar em termos de “buraco pequeno” ou “buraco grande”. Imagine você em um estúdio, fazendo fotos de uma modelo, e comentando: “Nossa! Essa foto com o buraco grande ira ficar magnífica!”. A modelo, se não lhe desse um tapa na cara, iria sair correndo! e com toda razão! hehe  Na fotografia, quando nos referimos ao tamanho do “buraco”, usamos a palavra ABERTURA, ou se você quiser demonstrar que é um ouvinte do Sangue Suor e Foto e sabe muito de fotografia, o numero de F-STOP.
As diferentes aberturas são conhecidas como F-STOPS, ou NÚMEROS DE 'F', que são dispostos em uma serie numérica, e que tem como sequência padrão o seguinte: f/1.4, f/2, f/2.8, f/4, f/5.6, f/8, f/11, f/16, f/22 e f/32.
Nesta escala, cada número corresponde a um tamanho de abertura, que dobra na medida que formos de um valor para outro, permitindo entrar o dobro de luz até o sensor (se formos para uma abertura maior) ou a metade de luz (se formos para uma abertura menor).


Quase todos, quando estamos começando, e não estamos muito familiarizados com esses números, cometemos o erro de pensar que quanto maior o numero (f/16… f/22… f/32…), maior deveria ser a abertura, e não o contrario. Mas para entendermos, basta notarmos que esses valores são FRAÇÕES, logo, quanto menor o DIVISOR (1.4… 2… 2.8…), maior o resultado, isto é, maior a ABERTURA!
E dai vem o conceito de falarmos que uma objetiva é uma “lente clara”, uma “lente luminosa”, do fato dela possuir um valor de f-stop pequeno (f/1.4… f/1.8… f/2.8…) e consequentemente poder passar uma quantidade grande de luz.
Nem todas as lentes possuem esses valores, muitas lentes trabalham a partir de f/3.5… f/4 ou mesmo f/5.6. Lentes com valores pequenos, que permitem uma boa abertura, são lentes mais claras e BEM MAIS CARAS.
  
Se quanto maior a abertura, melhor é para passar a luz e captar a imagem pelo sensor, por que não usarmos sempre o valor Maximo?
Bem, a ABERTURA não controla somente a quantidade de luz que entrara pela lente. O tamanho da abertura também é responsável por controlar a PROFUNDIDADE DE CAMPO.
Profundidade de campo na fotografia é a zona que em que teremos  nitidez, antes e depois, do objeto que tivermos focado.
quanto maior a abertura, mais luz teremos, e como consequência, menor será a profundidade de campo. Se usarmos uma abertura pequena, menos luz, e mais profundidade de campo.
No exemplo a seguir fica bem fácil de entendermos. Na primeira imagem usei uma abertura de f/ 1.8, onde temos uma zona muito pequena em foco. na segunda imagem, onde usei uma abertura um pouco menor, consegui uma zona maior de nitidez. na ultima imagem, onde usei uma abertura bem pequena, consegui colocar todo teclado em foco!


Outra situação que se usa muito o controle da abertura, e que é uma das preocupações principais de todos que fotografam paisagem, é quando temos alguém em primeiro plano, e um fundo muito longe. Se usarmos uma abertura grande, teremos a pessoa em foco, mas o fundo, a paisagem, ira ficar sem nitidez. O que fazer então? Fácil! basta usarmos uma abertura pequena, aumentando a profundidade de campo,  conseguindo assim captar tanto a pessoa como o background.
No exemplo a seguir fica fácil de entender. Na primeira imagem temos a sereia em foco, enquanto mal conseguimos decifrar o fundo. Na medida que vamos diminuindo a abertura, o fundo vai ficando com mais e mais nitidez.



Como saber se a abertura que estou usando será o suficiente para colocar tanto a modelo quanto o fundo em foco?
Existem varias tabelas, planilhas e softwares na internet para se calcular com precisão a profundidade de campo. Também existem muitos APPS, tanto para Androide como para Apple, muitos inclusive de graça. Basta procurarem no Google por “DOF CALCULATOR” que aparecerão centenas!
Aqui colocarei um bem simples. No primeiro campo (f-stop), coloque a abertura. No segundo espaço (Circle of Confusion), não altere, deixe em .03mm. Depois (focal length), coloque a lente que VOCÊ estiver usando. E por último (distance), coloque  a distância entre você e o objeto que você estiver focando (o software é americano e esta em pés (feet)). Pront! é só clicar em SUBMIT e você terá todas as distancias!
f-Stop
Circle of Confusion
Focal Length
Distance
Submit
Computing...

O problema de usarmos aberturas muito pequenas

Uma nota importante: Devemos sempre que possível, evitar os extremos. Devemos evitar utilizar aberturas MUITO pequenas, pois existe um fenômeno na física chamado “DIFRAÇÃO”, e onde tivermos focos de luz, teremos um efeito parecido com “filtros estrela”, filtros muito usados para fazerem fotos de natal há alguns anos atrás, onde todas  lâmpadas se transformavam em “estrelas”. Um exemplo é a foto a seguir. Eu fotografei em f/ 25. Todos focos de luz, transformaram-se em estrelas.


Como fazer para controlar a abertura na minha maquina?
Um bom inicio para quem esta começando, e ainda não tem coragem para se aventurar no MODO MANUAL,  é usar os MODOS DE PRIORIDADE da câmera. Sabe aquele “disco” onde ficam os MODOS AUTOMÁTICOS? (modo noturno… modo paisagem… modo retrato…e etc…) Pois é, ali também se encontram os MODOS DE PRIORIDADE.
Os modos de prioridade, que são modos “semi-automáticos”, são recursos disponíveis que nos dão certo controle sobre a velocidade ou a  ABERTURA, mas ainda assim garantindo uma exposição correta. A câmera toma suas decisões baseadas nas nossas escolhas garantindo um equilíbrio correto entre VELOCIDADE e ABERTURA. Não é a toa que os MODOS DE PRIORIDADE também são chamados de modos “semi-manuais”, pois unem o nosso ajuste MANUAL com outro ajuste AUTOMÁTICO (se optarmos por escolher a abertura, a máquina regulara a velocidade, e vice-versa).
Para controlarmos a ABERTURA, devemos colocar o “controle de modos” em “MODO DE PRIORIDADE DE ABERTURA”. Ele é normalmente indicado por um “A” ou um “AV”, e ao contrário do que muitos acreditam, o “A” não tem nada a ver com modo “Amador”, modo “Amazing”  ou modo “Awesome”. O ícone com a letra “A” vem do inglês “APERTURE” (abertura).
Nesse modo podemos ter controle da ABERTURA, sem precisarmos nos preocupar com a correta exposição, pois a câmera se encarregara de controlar a VELOCIDADE, ajustando-a assim para que tenhamos uma imagem com uma exposição correta.

  

Sangue Suor e Foto
Seu Podcast de Fotografia

http://www.sanguesuorefoto.com/2012/05/07/ssf-003-abertura-do-diafragma-f-stops/